Após vídeos de maus-tratos, vereador propõe proibir rodeios no município; tradicionalistas reagem e MTG publica nova portaria de segurança
Um projeto de lei protocolado na Câmara Municipal de Canoas, no Rio Grande do Sul, colocou em rota de colisão dois campos que raramente dialogam com facilidade: a defesa do bem-estar animal e a tradição das lides campeiras gaúchas. A proposta, de autoria do vereador Cris Moraes, do PV, pretende proibir rodeios e quaisquer eventos que envolvam práticas consideradas causadoras de sofrimento, perseguição, tortura ou maus-tratos a animais no município. O texto surgiu depois que vídeos de um rodeio realizado no Parque Eduardo Gomes circularam nas redes sociais em maio, reacendendo um debate que já existia, mas que ganhou urgência política diante da repercussão pública. Seguinte
Para quem acompanha o universo dos rodeios, a pergunta central é: o que muda de fato se o projeto avançar, e como o setor está reagindo a essa possibilidade? A seguir, o que se sabe até agora.
O que motivou o projeto e o que ele propõe
As imagens que motivaram a proposta mostram responsáveis pelo manejo do gado desferindo golpes contra os animais durante a condução para as provas, episódio classificado pelo Movimento Tradicionalista Gaúcho como um caso isolado. O vereador Cris Moraes, no entanto, argumenta que episódios desse tipo não podem mais ser tolerados sob a justificativa de tradição cultural. O projeto, protocolado em 5 de junho de 2026, cita ainda um caso de abril daquele ano, em que um cavalo precisou ser submetido à eutanásia após sofrer lesão grave durante uma corrida. ABC+Noticiasdaaldeia
A proposta não tramita sem resistência. O presidente da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, vereador Juares Hoy, avaliou que o projeto possui vício de iniciativa e poderia ser considerado inconstitucional, avaliação da qual o autor da proposta discorda publicamente. O debate ganhou ainda mais camadas com a entrada de um terceiro projeto na disputa: o vereador Aloísio Bamberg, do PSDB, apresentou uma proposta que busca declarar a prova de laço como bem integrante do patrimônio cultural imaterial do município, numa tentativa de blindar juridicamente a prática contra futuras tentativas de proibição. Esse movimento transformou o que começou como um debate ético em uma disputa também jurídica, sobre qual interpretação da lei deve prevalecer no município. ABC+Noticiasdaaldeia
Tradicionalistas reagem e entidade endurece regras internas
A reação do meio tradicionalista foi rápida e organizada. O vereador Dario Silveira, do União Brasil, líder da bancada tradicionalista, classificou os rodeios locais como eventos com responsável técnico, ambulância e todo um aparato de segurança, e se posicionou como principal opositor à proposta de proibição. Já o presidente da Câmara de Canoas, vereador Abmael Almeida de Oliveira, também se declarou contrário ao projeto, alegando que os rodeios são manifestações culturais consolidadas e passadas entre gerações. NoticiasdaaldeiaNoticiasdaaldeia
O argumento econômico também entrou na discussão. Um estudo do economista José Moura, da Universidade Feevale, estima que a cadeia produtiva dos rodeios crioulos movimenta cerca de R$ 2 bilhões por ano na economia do Rio Grande do Sul, valor que, segundo o pesquisador, poderia ser impactado por uma proibição total da atividade. Diante da pressão, a própria entidade máxima do tradicionalismo gaúcho decidiu agir preventivamente. No dia 30 de junho de 2026, a diretoria do Movimento Tradicionalista Gaúcho publicou a Portaria nº 18/2026, que estabelece regras detalhadas de proteção e bem-estar animal em rodeios e demais provas tradicionais, proibindo o uso de esporas do tipo nazarena e de qualquer aparelho que emita choques elétricos. Segundo a entidade, o descumprimento das novas regras pode resultar em suspensão da entidade promotora e, em caso de reincidência, na perda definitiva do direito de organizar eventos vinculados ao movimento. NoticiasdaaldeiaNoticiasdaaldeia
O impasse em Canoas expõe um dilema que não é exclusivo do Rio Grande do Sul: como conciliar tradições culturais enraizadas havia gerações com padrões cada vez mais rígidos de proteção animal, exigidos tanto pela sociedade quanto pelo Judiciário. Enquanto o projeto de Cris Moraes ainda não tem data prevista para votação nas comissões, a publicação da portaria do MTG sinaliza que o próprio movimento tradicionalista reconhece a necessidade de ajustes internos. O desfecho dessa disputa em Canoas deve ser acompanhado de perto por outros municípios gaúchos, já que decisões semelhantes podem inspirar propostas parecidas em outras cidades com forte presença de rodeios e provas campeiras.
Fontes consultadas:
- https://seguinte.inf.br/vereador-propoe-proibir-rodeios-e-provas-campeiras-com-animais-em-canoas-apos-repercussao-de-videos-entenda/
- https://www.abcmais.com/brasil/rio-grande-do-sul/vale-do-rio-dos-sinos/canoas/video-fim-dos-rodeios-em-canoas-projeto-de-lei-discute-o-fim-de-eventos-que-envolvam-provas-com-animais/
- https://noticiasdaaldeia.com.br/polemica-em-canoas-projeto-para-banir-rodeios-promete-guerra-entre-tradicionalistas-e-vereadores/
- https://noticiasdaaldeia.com.br/a-polemica-so-aumenta-terceiro-elemento-entra-na-disputa-sobre-proibicao-de-rodeios-em-canoas-com-proposta-de-blindagem-juridica-para-o-laco/
- https://noticiasdaaldeia.com.br/vai-dar-polemica-nova-proposta-de-lei-visa-proibir-rodeios-e-provas-com-animais-em-canoas/
- https://noticiasdaaldeia.com.br/bem-estar-animal-no-tradicionalismo-mtg-publica-portaria-rigida-apos-denuncias-em-canoas-e-risco-de-proibicao/

