Tecnologia usada em estádios de futebol durante a Copa do Mundo de 2026 já é realidade em grandes eventos country, como o Cajamar Rodeo Fest e a Festa do Peão de Barretos
A biometria facial, tecnologia que ganhou força nos estádios de futebol brasileiros nos últimos anos, começou a se espalhar também pelo universo dos rodeios e das festas do peão. Eventos de grande porte no interior paulista já adotam câmeras de reconhecimento facial como parte da estratégia de segurança, seguindo uma tendência que a Copa do Mundo de 2026 ajudou a popularizar em escala global. Para o público que frequenta arenas e recintos de rodeio, a mudança promete impactar diretamente a forma de entrar nos eventos, com filas mais curtas e menor risco de fraude na compra de ingressos.
Mas como essa tecnologia funciona na prática dentro de um rodeio, e o que ela representa em termos de segurança e privacidade para quem participa desses eventos? É o que este texto explica a seguir.
Câmeras e biometria já fazem parte da estrutura dos grandes rodeios
O Cajamar Rodeo Fest 2026 reforçou sua operação de segurança com quase 100 câmeras equipadas com reconhecimento facial, instaladas em pontos estratégicos do Boiódromo, além de controle de acesso, revista pessoal nas entradas e monitoramento em tempo real. A proposta da organização foi clara: oferecer ao público uma experiência de grande porte, mas cercada de prevenção e tecnologia de ponta em som, imagem e controle de acesso. O festival, que reúne sertanejo, pagode, piseiro, trap e forró ao longo de dois fins de semana, também soma rodeio profissional em touros à sua programação, tornando o uso da biometria um diferencial de segurança em meio a multidões. Ianoticias
A experiência mais emblemática, porém, está em Barretos. O maior evento de rodeio da América Latina implementou a tecnologia da empresa Bepass para garantir uma entrada organizada e segura aos milhares de participantes, com melhorias relatadas na experiência de acesso e na redução de filas e problemas de segurança. O sistema funciona de forma relativamente simples: o participante cadastra o rosto no momento da compra do ingresso e, na chegada ao evento, basta posicionar o rosto diante da câmera para liberar a entrada, sem necessidade de apresentar bilhete físico ou documento. Bepass
Segurança, agilidade e o debate sobre privacidade dos dados
O uso da biometria em eventos de grande público não nasceu nos rodeios, mas ganhou impulso relevante com o futebol. Desde a entrada em vigor do artigo 148 da Lei Geral do Esporte, em junho de 2023, a biometria facial passou a ser obrigatória em arenas com capacidade para mais de 20 mil torcedores no Brasil, eliminando a possibilidade de um mesmo ingresso circular entre várias pessoas. Segundo especialistas do setor, o mesmo racional de combate ao cambismo e à falsificação de ingressos tem levado organizadores de shows, festivais e eventos country a adotar soluções semelhantes, ainda que a exigência legal, por enquanto, esteja concentrada nos grandes estádios de futebol. Agência Brasil
Nem tudo, porém, é consenso. Um relatório do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania levantou preocupações sobre a vinculação obrigatória da compra do ingresso à coleta de dados biométricos, incluindo o risco de expor menores de idade e de gerar identificações equivocadas, citando o caso de um torcedor confundido com um foragido durante um jogo em Sergipe. Para o setor de rodeios, que lida com público diverso, incluindo crianças e idosos em eventos familiares, esse debate sobre proteção de dados e Lei Geral de Proteção de Dados tende a ganhar espaço à medida que mais festas do peão adotarem o reconhecimento facial como padrão de segurança. Agência Brasil
A chegada da biometria facial aos rodeios reflete um movimento mais amplo de digitalização dos grandes eventos brasileiros, impulsionado pela experiência acumulada no futebol e potencializado pela vitrine global da Copa do Mundo de 2026. Para o público, a promessa é de entradas mais rápidas e maior segurança contra fraudes e cambismo. Ao mesmo tempo, o crescimento dessa tecnologia dentro do universo country deve manter aceso o debate sobre até que ponto a conveniência tecnológica pode conviver, de forma equilibrada, com a proteção de dados pessoais dos frequentadores desses eventos.
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