Daugliesi Giacomasi Souza analisa uma premissa que a neurociência já confirmou: o espaço onde vivemos molda quem somos. Não metaforicamente. De forma concreta, mensurável e cotidiana.
A forma como um ambiente é projetado, organizado e decorado influencia o humor, a produtividade, a qualidade do sono, a disposição para se relacionar e até os padrões de alimentação de quem habita aquele espaço. Esse campo de estudo, que cruza design de interiores, psicologia ambiental e neurociência, ganhou força nos últimos anos e está mudando profundamente a forma como os melhores projetos residenciais são concebidos.
A demanda por bem-estar nos espaços deixou de ser um diferencial para se tornar uma expectativa. Pessoas que passaram mais tempo em casa nos últimos anos desenvolveram uma percepção mais aguçada sobre o que funciona e o que não funciona nos ambientes que habitam. Essa consciência chegou ao mercado de decoração e está redesenhando prioridades.
Por que você se sente diferente em cada ambiente?
Antes de qualquer elemento decorativo, o espaço comunica por meio de sinais que o sistema nervoso capta antes da consciência. A altura do teto afeta a sensação de liberdade ou proteção. A largura dos corredores influencia o ritmo com que as pessoas se movem. A quantidade de superfícies horizontais livres ou sobrecarregadas de objetos impacta diretamente a sensação de ordem mental.
Esses efeitos não dependem de gosto pessoal. São respostas biologicamente programadas que se somam às experiências individuais de cada pessoa. Um quarto com teto baixo, janelas pequenas e mobiliário pesado cria pressão mesmo em alguém que nunca ouviu falar em psicologia ambiental. A sensação existe antes do pensamento.
Daugliesi Giacomasi Souza trabalha com esse conhecimento como ferramenta de projeto, não como teoria abstrata. O planejamento de interiores orientado pelo bem-estar começa com a compreensão de como as pessoas se comportam nos espaços e quais são suas necessidades emocionais reais, não apenas suas preferências estéticas declaradas.
O que o conceito de conforto realmente significa no design de interiores?
Conforto é uma das palavras mais usadas e menos compreendidas no vocabulário da decoração. Sofá confortável, iluminação confortável, ambiente aconchegante: todos esses termos descrevem experiências subjetivas que têm, na verdade, fundamentos objetivos.
Conforto térmico, acústico, visual e ergonômico são categorias técnicas que impactam diretamente a qualidade de vida em um espaço. Um ambiente que controla bem o ruído externo melhora a qualidade do sono. Um projeto que considera a ergonomia das alturas de trabalho reduz a fadiga e dores físicas. Uma paleta de cores que respeita os limites de estimulação visual diminui a ansiedade e melhora o foco.
Nenhum desses resultados é alcançado por acidente. Todos dependem de escolhas conscientes feitas no momento do planejamento de espaços, antes de qualquer compra de móvel ou escolha de revestimento.
Como a organização do espaço afeta o comportamento das pessoas?
A disposição dos móveis e a organização do espaço funcionam como uma coreografia invisível que guia o comportamento dos moradores. A arquitetura do espaço determina, em grande medida, o tipo de relação que acontece dentro dele:
- Sofás frente a frente favorecem a conversa e o convívio.
- Sofás voltados para a televisão favorecem o isolamento individual.
- Mesas de jantar centralizadas convidam à reunião e ao compartilhamento.
- Corredores estreitos e sem pausas aceleram o passo e inibem a permanência.

Daugliesi Giacomasi Souza aplica esse entendimento no planejamento de residências que precisam atender a famílias em diferentes fases da vida. Um apartamento que funciona bem para um casal jovem pode se tornar disfuncional com a chegada de filhos, não porque ficou pequeno, mas porque o projeto não previu as novas dinâmicas de uso. Espaços bem planejados têm flexibilidade embutida: permitem reorganização, adaptam-se a diferentes usos ao longo do dia e suportam mudanças na dinâmica familiar sem exigir reformas a cada transição de vida.
O espaço como reflexo de quem você é e de quem você está se tornando
Cada ambiente comunica algo sobre quem o habita antes mesmo de qualquer palavra ser dita. Cores, materiais, objetos e a forma como tudo isso se organiza constroem uma narrativa sobre os valores e o estilo de vida dos moradores. Quando essa identidade é construída com intenção, o ambiente se torna um reflexo verdadeiro de quem vive ali. Quando é ignorada ou formada por acumulação aleatória, o resultado é um espaço que nunca parece completamente seu. Para Daugliesi Giacomasi Souza, a personalização de ambientes não é luxo. É uma necessidade psicológica comprovada: pessoas que habitam espaços que refletem sua identidade reportam maior satisfação com a casa, maior sensação de controle e menor nível de estresse cotidiano.
Um bom projeto de design de interiores não é uma fotografia. É um sistema vivo que precisa crescer com seus moradores. Isso significa fazer escolhas de base que resistem ao tempo, paletas neutras que aceitam atualizações por camadas, materiais duráveis que envelhecem bem e layouts que comportam diferentes arranjos, deixando espaço para que o ambiente seja habitado, não apenas preservado.
O maior sinal de que um projeto foi bem-sucedido é quando as pessoas se sentem mais elas mesmas dentro de casa do que em qualquer outro lugar. Esse é o objetivo central do trabalho de Daugliesi Giacomasi Souza: criar ambientes que não apenas impressionem, mas que façam bem de verdade a quem os vive.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez

